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X Copa do Mundo da FIFA - 1974
Mirandinha
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Sebastião Miranda da Silva (Bebedouro, 26 de fevereiro de 1952), mais conhecido como Mirandinha, é um ex-futebolista brasileiro.

Mirandinha era um centroavante conhecido por sua raça e velocidade — fazia 50 metros em 5,2 segundos no início de sua carreira. Começou a carreira em 1968, no América de São José do Rio Preto, onde ficou até ser comprado pelo Corinthians, em 1970. Lá, dizia-se que ele "impressionava tanto pelos gols que fazia quanto pelos muitos que perdia", mas foi um dos principais jogadores do time até ser vendido ao São Paulo, em 1973, depois de marcar 50 gols em 162 jogos no Parque São Jorge. Com o dinheiro que ganhou na transferência, comprou uma casa atrás do aeroporto de Congonhas.

Foi no São Paulo que viveu sua melhor fase. Depois de chegar ao Morumbi, marcou 12 gols em 20 jogos pelo Campeonato Brasileiro de 1973, que lhe valeram a Bola de Prata da revista Placar em sua posição e o levaram à seleção brasileira que disputou amistosos preparatórios para a Copa do Mundo de 1974. Começou como titular contra o México (1x1) e contra a Tchecoslováquia (1x0), sendo substituído por Leivinha nessa última partida. Contra a Bulgária (1x0), entrou no lugar do mesmo Leivinha. Apesar de não ter participado dos nove amistosos seguintes, foi convocado para o mundial da Alemanha Ocidental, às pressas, no lugar de Clodoaldo. Disputou quatro partidas, atuando até na ponta direita, com que não estava acostumado, e foi titular contra a Escócia e entrando no segundo tempo contra Zaire, Holanda e Polônia. "Eu joguei em quatro partidas [na Copa] e, apesar da derrota, tirei muito proveito dessa experiência. Afinal, jogar pela Seleção é o sonho de qualquer jogador. E eu cheguei lá", contou Mirandinha, 32 anos depois. Sem marcar gols em nenhuma das sete partidas em que atuou, essa foi sua última participação com a camisa do Brasil.

O problema não esteve exatamente relacionado às atuações de Mirandinha. O Brasil só voltaria a jogar em 30 de julho de 1975, pela Copa América, mas o centroavante estava seriamente contundido. Em 24 de novembro de 1974, o São Paulo enfrentou o América, no estádio Mário Mendonça, em São José do Rio Preto. Mirandinha abriu o placar aos 8 minutos do segundo tempo. Pouco depois, entrou em uma dividida com o zagueiro Baldini — Mirandinha também era famoso por não tirar o pé das divididas —, mas acabou levando a pior e teve fratura dupla na tíbia e na fíbula. A foto do lance, de Domício Pinheiro, é famosa. Foi substituído imediatamente por Serginho, que marcou dois gols naquele jogo, fechando a vitória em 3x0. Meio constrangido, Serginho aceitou a responsabilidade: "Agora chegou minha chance. É uma pena que tenha sido deste modo, mas eu preciso aproveitá-la. Meu contrato termina em dezembro, e eu ganho muito pouco." Ele, de fato, aproveitou a chance e veio a se tornar o maior artilheiro da história do São Paulo, com 243 gols.

A contusão foi tão grave que ele só tiraria o gesso dois anos e meio depois, em 25 de maio de 1977, depois até de ser desenganado por médicos em relação à continuidade de sua carreira e cogitar voltar a São José do Rio Preto com a família para talvez montar algum negócio. Ao todo, foram sete cirurgias, duas delas com enxertos ósseos. O tempo total em que ele ficou parado foi de mais de três anos, mas o São Paulo pagou todos os seus salários ao longo dos mais de três anos em que o jogador ficou parado. Após tirar o gesso, Mirandinha seguiu fazendo um trabalho intensivo, ao lado do lateral esquerdo Osmar.

A volta aos gramados só se daria 1.109 dias depois da contusão, em 7 de dezembro de 1977, na segunda fase do Campeonato Brasileiro de 1977, contra o Brasília no Pacaembu, embora ele já tivesse sido cogitado para entrar em campo contra o Santa Cruz, ainda pela primeira fase. Mirandinha entrou no intervalo, substituindo a Serginho, que marcara dois gols no primeiro tempo. "Nem tive tempo para ficar nervoso", disse o jogador depois da partida. "O [técnico do São Paulo, Rubens] Minelli me chamou num canto e disse: 'Entra no lugar do Serginho e seja feliz.' " Mesmo com o gramado pesado, por causa das fortes chuvas do dia (que chegaram a ameaçar até a realização da partida), Mirandinha participou de 15 jogadas "dignas de nota". Faltou apenas o gol. Sua melhor chance foi aos 38 minutos, quando o goleiro Déo fez uma defesa desequilibrada em uma cabeçada do centroavante, para desespero do banco de reservas do São Paulo, que gritava e xingava.

Já dez quilos mais magro em relação a maio, quando tirara o gesso, ele entrou no segundo tempo em quatro dos cinco jogos seguintes e finalmente começou como titular em 15 de fevereiro de 1978, contra o Sport, pela terceira fase do Campeonato Brasileiro de 1977, que ainda não tinha terminado. Sua vaga no time titular veio com a suspensão de Serginho, por causa de expulsão no jogo anterior, contra o Botafogo, em Ribeirão Preto, a mesma expulsão que duas semanas depois lhe valeria uma suspensão de 14 meses. "O futebol é engraçado", dizia Mirandinha na véspera da partida. "Ele entrou no meu lugar quando eu estava na melhor fase da minha vida. E agora eu entro no lugar dele exatamente na mesma situação." Nervoso antes de entrar em campo, Mirandinha teve medo de decepcionar a torcida, medo esse que se acentuou quando ele teve de dar a saída no meio-campo duas vezes depois dos gols adversários que abriram o placar. O São Paulo empatou a partida ainda no primeiro tempo, e Mirandinha foi fundamental no gol da virada, marcado por Zé Sérgio, ao deixar o passe de Zequinha passar, enganando a dupla de zaga pernambucana. O centroavante comemorou o gol com entusiasmo, como se ele mesmo o tivesse marcado. Foi quando a torcida passou a gritar o seu nome, e ele agradeceu logo depois, com seu primeiro gol em 1.179 dias: um chute forte de esquerda, depois de passe de Neca. Mesmo cansando no final, Mirandinha ficou em campo até o fim da partida. E, depois do apito final, avisou que sua camisa já tinha dona: "Pelo amor de Deus, não tirem a camisa de mim. Ela é da minha mãe, que vem rezando por mim desde o dia da minha contusão. E não vejo a hora de entregá-la, hoje mesmo."

A volta de Serginho da suspensão automática não tirou Mirandinha do time titular. Embora tenha despistado a imprensa ao longo do resto da semana, Minelli deixou-o no ataque, ao lado de Serginho e Zé Sérgio, para a partida contra o Grêmio, no Morumbi, que decidiria a vaga do grupo dos dois times nas semifinais. E marcou mais um gol, o terceiro da vitória por 3x1, considerado pelo colunista Alberto Helena Jr., do Jornal da Tarde, o mais bonito da partida. Ele recebeu lançamento de Darío Pereyra na ponta direita, passou por Oberdan, invadiu a área e chutou forte, antes da chegada da zaga. Desta vez, Mirandinha foi mais poupado e pôde ficar livre na direita, sem precisar voltar para marcar.

No primeiro jogo das semifinais, contra o Operário, de Campo Grande, tanto Mirandinha como Darío Pereyra começaram jogando, para não colocar muita responsabilidade nos ombros de Zequinha e Neca, respectivamente, e foram substituídos pelos respectivos reservas no segundo tempo. Enquanto esteve em campo, Mirandinha jogou mal, talvez pelo mesmo motivo que o fez passar mal no vestiário durante o intervalo. Apesar disso, ele era otimista para o jogo de volta, que o São Paulo poderia perder por até três gols de diferenças depois de ganhar em casa por 3x0: "Acho que já estou com a mesma velocidade que tinha há três anos e, aos poucos, não sentirei diferença alguma." O São Paulo perdeu por 1x0 no Mato Grosso e classificou-se para decidir o título contra o Atlético-MG, mas Mirandinha novamente não se destacou.

O São Paulo foi campeão brasileiro no domingo seguinte, ao derrotar o Atlético-MG nos pênaltis em pleno Mineirão, com uma atuação razoável de Mirandinha, que, mesmo bem marcado, perdeu uma boa chance no segundo tempo em cruzamento de Zé Sérgio e não fugiu das divididas que caracterizaram a atuação do tricolor naquela tarde.

Ao contrário de Serginho, que aproveitou a ausência do concorrente em 1974 e estabeleceu-se como centroavante titular do São Paulo, Mirandinha claramente não era mais o mesmo. Marcou mais cinco gols no Campeonato Paulista e na Libertadores, mas perdeu a posição para o jovem atacante Mílton Cruz. Depois de 93 jogos e 43 gols, deciciu deixar o clube e foi parar no Tampa Bay Rowdies, da hoje extinta North American Soccer League, nos Estados Unidos. Ficou por lá até 1979 e no ano seguinte foi para o México defender o Tigres. Voltou ao Brasil em 1981 e rodou por vários times menores. Passou por Atlético Goianiense (1981), Taubaté (1982), ABC (1983), Guará (1983), Douradense (1983), União Mogi (1984), Saad (1984) e Independente de Limeira (1984), até encerrar a carreira em 1985, defendendo o Ginásio Pinhalense.

Depois de se aposentar, Mirandinha foi técnico de alguns clubes, como o CENE, do Mato Grosso do Sul, trabalhou com as categorias de base do Corinthians e ainda esteve ligado a escolas de futebol da Secretaria Municipal de Esportes de São Paulo.

Um de seus três filhos, Miran, chegou a jogar no Taubaté na década de 90.

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